Vamos falar de números, cacete!
Como todo mundo já deve saber, Unimed e Santa Casa de Mogi Mirim não se entenderam, por isso, a cooperativa deixa de prestar serviços no hospital mogimiriano. Isto é, segundo a Unimed, são 30 mil usuários descobertos devido à rescisão de contrato – que até agora não ficou claro de que lado partiu a decisão.
A Santa Casa alega que a Unimed quis diminuir 20% do valor pago a ela pelos serviços prestados. Ok, vamos aos fatos. Quanto a Santa Casa recebia anteriormente? E quanto a Unimed se dispôs a pagar agora? Ninguém explica claramente números. Só informam porcentagens.
Outro ponto: a Santa Casa diz que usuários da Unimed passam a ser atendidos “através do SUS”. Certo, imagine você, caro leitor deste blog, se a Santa Casa já era um caos com usuários da Unimed sendo atendidos separadamente em relação aos pacientes do SUS, imagine agora, tendo todo mundo junto, no mesmo local. É piada...
Outra coisa: a Porto Seguro e a Máster Saúde, da noite para o dia, passaram a circular pela Santa Casa. Despejaram uma boa grana para que o hospital pudesse investir na construção de duas torres – vai demorar pra ficar pronto, aposte nisso –, e ainda por cima, prometem oferecer atendimento aos conveniados.
Aí é que mora o problema. Quem são os médicos destes novos convênios? Pelo o que consta até agora, não são os mesmos médicos da Unimed, que estão migrando para hospitais de Mogi Guaçu e Itapira. E pelo que este blog soube hoje, são médicos de fora, de cidades da região, de Campinas, por exemplo, o que gera uma clara desconfiança dos próprios pacientes quando se depararem com estes desconhecidos médicos: “oras, quem é esse cara?”.
Na relação Santa Casa x Prefeitura, a Câmara faz politicagem. Reage sem saber o que deve ser feito no tocante ao cumprimento de contrato de co-gestão com o Município. Os problemas no atendimento ao povão continuam. Os vereadores até convocaram a Santa Casa para prestar contas na Câmara. Com que direito? O hospital só deve prestar contas ao Executivo, mais nada. Legislativo aprovou a co-gestão. Ponto final.
Então, se a Câmara entende que o serviço prestado na Santa Casa não serve, então que não aprove mais a renovação do contrato de co-gestão com a Prefeitura, certo? Errado, porque isso causaria um sério problema a Carlos Nelson, que, ao que tudo indica, anda mansinho. Mas, problema é do Carlos Nelson, que anda mudo, calado, ausente, distante.
Mais estranho é que da noite para o dia a Santa Casa recebeu um considerável investimento de outros convênios que passaram a ocupar o espaço da Unimed. Mas qual é a consequência do rompimento de contrato com esta cooperativa? Qual é o prejuízo? Outros convênios conseguirão cobrir o rombo? Direto ao ponto: a Santa Casa continuará prestando bons serviços à população?
Bizarrice, em seguida, é ver a Santa Casa alardear o interesse em adquirir o Hospital 22 de Outubro. Ah! E com que grana? Onde está o balancete? Ao invés de comprar um hospital, não seria melhor ampliar ou até melhorar os serviços atuais? E os projetos que até agora não saíram do papel?
A Santa Casa deve prestar contas porque é um hospital que se manteve com o esforço do povo há anos. Aliás, construída com recursos públicos. E continua contando com o meu, o seu, o nosso dinheirinho.
Mais gozado de tudo isso é que todas as decisões tomadas até hoje não contam com a participação popular. O povo, aquele que fica horas na recepção à espera por um atendimento digno, continua como antes. A mercê de decisões estapafúrdias. Cujo interesse, como sempre, deixou de ser público há muito tempo.